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domingo, 31 de março de 2013

Descubra como é feito o Refrigerante









Harvey Washington Wiley tinha uma missão a cumprir. Ou pelo menos era o que ele acreditava.




Harvey Wiley (1844-1930) era Químico-Chefe da Divisão de Química do Departamento [Ministério] da Agricultura dos Estados Unidos. Ele também foi um dos fundadores da Association of Official Analytical Chemists [Associação Oficial de Químicos Analíticos]. Com essas credenciais, Wiley estava determinado a lançar uma cruzada contra o uso de aditivos químicos em alimentos e medicamentos.

Com o apoio de um seleto “esquadrão do veneno” (doze voluntários que ele usava para testar a segurança alimentar), a luta de Wiley por comidas e bebidas mais puras se tornaria legendária. Embora a Divisão de Química não tivesse, inicialmente, qualquer poder regulatório, Wiley e seus colaboradores publicaram suas descobertas em uma série de dez artigos durante o ano de 1902. Depois, ele procurou vários médicos e grupos de interesse especiais para fazer lobby por uma reforma no setor. 







A cruzada de Wiley começou na mesma época do lançamento da obra mais famosa de Upton Sinclair (1878-1968), The Jungle (que denunciava as verdadeiras condições dos operários dos frigoríficos de Chicago). Maiores exigências na segurança e no preparo da comida industrializada chegaram à agenda política. A pressão popular liderada por Harvey Wiley levou à aprovação doPure Foods and Drugs Act [Lei dos Alimentos e Medicamentos Puros] em 1906. No ano seguinte, o químico-chefe norte-americano publicou Foods and Their Adulteration [Alimentos e Suas Adulterações], que seria parte da bibliografia básica da área.





Com a aprovação da lei, cresceram os poderes da Division of Chemistry (que mais tarde seria substituída pela Food and Drug Administration, a FDA). Evidentemente, a cruzada de Wiley não agradava às indústrias alimentícias. Ele continuava a lançar ataques cada vez mais puritânicos contra alimentos e bebidas que se tornavam cada vez mais populares. E, com seu poder legalmente reforçado, Harvey Wiley voltou-se contra os refrescos cafeinados.





Molécula de Cafeína: substância foi descoberta após uma dica de Goethe a um químico alemão.



Em 1833, John Cole publicou um artigo no jornal médico The Lancet no qual descrevia os efeitos do consumo excessivo de chá e café. Cole apresentou nove estudos de caso para descrever os vários sintomas da intoxicação por café (ou chá). Ele perguntava se “o aumento nas doenças cardíacas dos últimos anos não teria sido influenciado consideravelmente pelo aumento no consumo de café e chá?”. Esse artigo de Cole criaria bastante preconceito quando começaram a surgir outras bebidas cafeinadas.





O que nos leva à Coca-Cola...









Começando sua carreira como um simples tônico vendido em farmácias do fim do século XIX, a Coca-Cola herdou seu nome de seus dois ingredientes principais: as folhas de coca e as nozes dekola. Originalmente receitada como tratamento para diversos males (entre os quais vício em morfina e impotência), a Coca tornou-se um refresco popular na virada do século.




Nozes de kola: a fonte de (e a solução para) todos os problemas do refrigerante mais famoso do mundo.

Com sua crescente popularidade, mudanças na fórmula foram consideradas necessárias. Por volta de 1904, o extrato de folhas de coca puras (o que dava estimados nove miligramas de cocaína por garrafa) foi trocado pelo extrato “empobrecido” de folhas de coca — a cocaína foi removida. Qualquer efeito estimulante que sobrou devia-se apenas à cafeína, que vinha da noz de kola e era reforçada por uma dose de 46mg de cafeína sintética a cada 12 onças fluidas (pouco mais de 350 ml, o equivalente a uma latinha moderna). Infelizmente para a Coca-Cola, foi exatamente com isso que Harvey Washington Wiley encasquetou.

Mesmo com a grande popularidade da Coca-Cola — até mesmo entre os proibicionistas, que a consideravam um exemplo de bebida não-alcoólica —, Wiley estava preocupado com a cafeína presente no refrigerante e decidiu fazer algo a respeito com seus poderes recém-adquiridos. Ele alegava que havia grande diferenças entre chá e café e Coca-Cola e seus similares (que também começavam a aparecer). E embora os adultos fossem livres para tomar quanta cafeína desejassem, Wiley queria proteger as crianças dos efeitos negativos da cafeína. Como desde o princípio as crianças sempre foram as maiores consumidoras de Coca-Cola, o suposto risco era enorme — mesmo por que a publicidade da Coca fazia poucos alertas sobre a cafeína. 















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